Entrevista Publicada na Revista APTB!
30/07/2008
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Nos demos recentemente uma entrevista a Revista APTB. Achamos que seria apos a sua publicacao, seria interessante compartilhar ela com os amigos do site.

Entrevista - Como Publicada na Revista APTB. A entrevista foi dada para o Marcelo Pardini.

A LW Agrícola cria cavalos QM desde 1968. Como surgiu o interesse pelos eqüinos?
O pai da Roberta, Sr. Wilton Paes de Almeida, foi um dos primeiros criadores a importar garanhões da King Ranch para o Brasil. Foram eles, Golfar Bar Dude e Bubble Can Cash. Os reprodutores serviram as éguas da fazenda por muitos anos.

Após três décadas de criação, a LW optou pelo Tambor com a compra de Calico Double Dee, garanhão da raça Paint. Por quê?
A Roberta, desde os 15 anos, treina Tambor. Após estudar fora do País, ela começou a trabalhar com o pai nos negócios rurais. Retomando os treinamentos, ela passou a competir e a seleção para o Tambor aconteceu de forma natural.

Então, o criatório passou a se dedicar à raça Paint. Mas o sucesso se deu com o QM.
Éramos fortes no Paint, porque tínhamos o Calico, Tricampeão do Congresso. Com a compra das supercampeãs Ximbica Rocket, Indiana Bull, SS Paloma KRB e Fofinha San, os bons resultados vieram. Aí fomos coroados com a vinda do melhor cavalo de Tambor já visto no Brasil, o Victory Fly. As vitórias nos fixaram no Quarto de Milha.

A LW sempre valorizou a compra de animais ganhadores em pista. Fale sobre isso.
Depois de muitos erros e alguns acertos na criação do Paint, decidimos retomar a seleção do QM, com matrizes e animais de competição de primeira linha. A primeira craque foi a Paloma, melhor filha do desaparecido Sucesso SKR. Foi um começo difícil, mas em 2006 ela obteve várias vitórias importantes, chegando a ser Reservada Campeã da Aberta 1D da NBHA Brazil/APTB. Depois veio a Fofinha, que deu muita alegria para mim. Consegui o título de Reservado Campeão Nacional Amador com ela, em 2006. Com a Ximbica, não tivemos muita sorte devido às contusões, mas ela marcou época com os seus 17s196 em Bauru, tempo que até hoje é o segundo melhor da pista. Por último, a melhor égua de Tambor do Brasil, Indiana Bull, que só nos dá alegria, ganhando provas e quebrando recordes. Ela é a mais veloz do País, com 17s140, também na pesada pista de Bauru. Por fim, nossa idéia era comprar sêmen no mercado, mas a vinda do VF (Victory Fly) mudou nosso plano, felizmente para melhor.

Hoje, quais são as feras que estão correndo pela grife LW?
Temos a incansável Indiana Bull, que há seis anos corre e ganha de forma consistente. Temos também o novo castrado, fechado em Corrida, Fishers Down Dash, que já entrou para a história com o tempo recorde de 17s549 na pista pesada do Jockey Club de Sorocaba. E o melhor cavalo de todos os tempos, VF, que ainda deve correr por muitos anos. A Paloma está aposentada, a Fofinha está parando e, se tudo der certo, teremos a volta da excepcional Ximbica ainda este ano.

Dos potros que estão sendo preparados, você já pode adiantar algum nome?
Para 2008, destacamos o Home Run Seven, AA86, filho de A Streak of Cash em égua Apollo VM. Outro potro, Dubrivnik Fly, por Signed to Fly em mãe Dash For Cash, também promete muita alegria. Para o ano que vem, temos o nosso Easy Chance Ta Fame, filho da lenda viva norte-americana, Dash Ta Fame em mãe Easy Jet. Para finalizar, a potra Pamela Vista, por Apollo VM em mãe Holland Ease. Esses últimos são diferenciados.

A compra de VF foi determinante para o sucesso do criatório. O que o cavalo representa para a Fazenda Nossa Senhora de Lourdes (FNSL)?
Mais importante do que ele representa para a FNSL é o que ele representa para a evolução do Tambor no Brasil. O VF elevou o padrão e permitiu aos amantes da modalidade o sonho de buscar os 16 segundos. Ele abriu as portas para a linhagem de Corrida. Como diz o próprio Abelardo Peixoto (que o treinou até 2006), VF representa o ponto de inflexão, ele carrega a responsabilidade do novo, do moderno, do ousado, do forte, do veloz, do ágil. É a síntese do que o cavalo de Tambor deve ter: conformação e beleza; pedigree e história; velocidade e agilidade; inteligência e índole; resultados e recordes. E o melhor de tudo é que ele tem passado isso aos seus filhos. Por ser novo, ele vai se provar como reprodutor daqui a quatro ou cinco anos. Vejo os filhos dele sendo melhores do que ele.

“Quando se trata de Tambor, a genética específica em Corrida é regra”. Comente a afirmação de Charmayne James.
Esta afirmação vem de uma constatação: as pessoas querem ter a linhagem que está ganhando, que lhes faça sonhar com vitórias e marcas espetaculares. Acredito que em 3 ou 5 anos isso será regra no Tambor brasileiro. Não tem como ser diferente. Se na Apartação a melhor linhagem é Peptoboonsmal, na Rédeas é Shining Spark, na Corrida é Corona Cartel, no Tambor vai ser Dash Ta Fame. A prova é contra o tempo e a linhagem de Corrida é a única que consegue fazer o cronômetro parar mais rápido. E vemos na importação de cavalos que o mercado está 100% ligado nessa mudança.

Tanto tem se falado na produção dos melhores cavalos de Tambor. É prudente comparar linhagens?
É salutar o debate e a comparação. Hoje, a linhagem de Trabalho domina em termos de números. Acredito que 90% dos cavalos de Tambor no Brasil sejam de Trabalho. Mas é interessante notar que com somente os 10% restantes a linhagem de Corrida tem quatro dos cinco melhores cavalos da atualidade: Cashanova West, Brasita Moon, Vivid Apollo e Victory Fly. O choque de sangue é uma opção, não para a FNSL, mas para muitos que ainda não estão convencidos da superioridade da linhagem de Corrida. Em suma, o cavalo de Trabalho não é o cavalo dos 16 segundos.

Hoje os cavalos de Corrida estão no topo. Por quê?
A tendência é clara. Na Vaquejada já está muito mais adiantado o processo, talvez por ser uma prova de treinamento mais simples. Vemos cada vez mais treinadores de ponta com um maior número de cavalos de Corrida. Há cavalos de Corrida ganhando de forma consistente há 2 ou 3 anos e com pessoas de todas as idades. Melhor exemplo disso é o Cashanova West, com a Gabriela Ferro, que corre na Jovem. O bom cavalo de Corrida, assim como o bom cavalo de Trabalho, serve para crianças, amadores e profissionais.

A comercialização de cavalos brasileiros para o exterior já é realidade. O que está faltando?
Falta ter a linhagem certa. Nenhum comprador sério vai importar do Brasil um cavalo de Tambor de linhagem de Trabalho. Como o sujeito que só compra cavalos de Corrida poderá vir ao Brasil comprar cavalos de Trabalho? Assim que o Brasil tiver uma linhagem ganhadora, com tempos baixos e sangue de Corrida, teremos aumento considerável nas exportações.

Como você avalia o trabalho da NBHA Brazil, a maior entidade de fomento ao esporte no País?
É, sem dúvida, o maior motor do avanço do Tambor no Brasil. Democratizando o prêmio, incentivando as pessoas com cavalos medianos e não se esquecendo de premiar de forma diferenciada os melhores. Quem não vê isso não entende nada. Hoje, o cavalo de 18s500 tem um valor, o de 18s0 tem outro e o de 17s, outro. Não tínhamos isso. Hoje, os cavaleiros têm como estudar e analisar que tipo de cavalo é o melhor para eles.

O sistema de divisões, conhecido no Brasil como 3D, revolucionou o mercado. Por quê?
Ninguém gosta de ir a provas e não ganhar nada. Ou melhor, quase ninguém. Como ir numa prova com 100 competidores e só 5 ganharem? Não achamos isso justo. Com o sistema divisional, todos têm chance de ganhar troféu, prêmio em dinheiro. Assim as pessoas não desanimam e sempre buscam melhorar. A parte mais emocionante e bonita do sistema divisional é ver aqueles que nunca ganharam vibrarem com as conquistas no 3D. Isso não tem preço e é o que faz a modalidade crescer.

O quê lhe dá mais prazer na criação de cavalos de Tambor?
É ver a familiar junta, a união dos amantes da modalidade. Ver as crianças, as mães e os pais correndo, tendo emoção e vibração a cada passada. Debater, estudar, analisar e planejar essa arte. Ver o crescimento com sucesso da modalidade que, sem dúvida, é o futebol das provas eqüestres.

Você é proprietário do Nº 1 do Tambor e possui uma das melhores estruturas para realização de provas. O que mais lhe falta?
Muita coisa. Queremos sempre melhorar, consertar os defeitos, errar menos. Sempre aprender com os mais experientes. Escutar os outros e sempre dialogar para o bem da modalidade. Achamos que temos que brigar por prêmios melhores, mais divisões, alinhar os interesses das associações, melhorar a qualidade das pistas, do treinamento, do trato. Não podemos ser preconceituosos e precisamos estar sempre com a cabeça aberta. Nosso maior anseio é selecionar o que há de melhor no QM de Corrida para o Tambor. Ver os filhos do VF começando a treinar e finalmente romper a barreira dos 17s. Achamos que esse sonho está perto e é possível.



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