A Capacidade De Velocidade
08/06/2008
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O site recebeu este artigo do amigo Heleno Lima e achou que seria de extrema relevancia compartilhar ele com todos os leitores do Blog FNSL.


Na escolha, preparação e treinamento dos cavalos para as Provas de Três Tambores a capacidade de velocidade é a característica principal e decisiva para o sucesso dentro destas competições.



Entende-se como velocidade de movimentos a capacidade de executar ações motoras, em um tempo mínimo, em determinadas condições, ou seja, executar movimentos com a máxima rapidez. A capacidade de executar movimentos velozes é inerente ao individuo, isto é, um animal pode executar um movimento bastante rápido e outro não.



Por isto, cada tipo de velocidade exige meios específicos de treinamento porque cada uma tem sua influencia na forma física do competidor. É necessário, portanto, conhecer as diferentes manifestações de velocidade, para poder aplicá-las no treinamento.



As condições em que se desenvolvem ações motoras nas Provas de Três Tambores, apresentam-se sob a forma de movimentos Cíclicos, como nas arrancadas, ou, sob a forma de movimentos Acíclicos, como no momento de contornar o Tambor.



A velocidade nos movimentos Cíclicos, ou seja, aqueles cujas fases se repetem, é definida como a capacidade de imprimir uma aceleração no inicio do deslocamento para alcançar a maior velocidade possível, por isto é denominada velocidade de aceleração.



A velocidade nos movimentos Acíclicos, aqueles cujas fases não se repetem, como no momento de contornar o Tambor, é a capacidade de efetuar mudanças de direção e movimentos com a maior rapidez possível. É comumente chamada de agilidade.



A velocidade é caracterizada por processos fisiológicos e pelo grau de expressão de determinadas qualidades psíquicas. Todos os movimentos são provocados por uma atividade coordenada da musculatura, isto é, há um controle e regulação funcional dos músculos através do sistema nervoso central.



Por isto, para uma ação rápida é importante a quantidade de fibras musculares rápidas, as conhecidas como fibras brancas. Em animais de alto nível em corridas de velocidade já foi constatado uma uniformidade na estrutura das fibras dos grupos musculares. Cavalos velozes possuem uma porcentagem maior de fibras brancas de que cavalos mais lentos.



Acontece que é predominante o conceito de que o percentual de fibras musculares é geneticamente determinado e, portanto, muito pouco influenciável pelo treinamento. A possibilidade de existirem formas de exercícios visando o aumento da velocidade é considerada muito pequena. Existe apenas a certeza que ela é a capacidade esportiva mais difícil de se formar. Entretanto, é preciso manter esta capacidade de velocidade, Cíclica e Acíclica, e, acima de tudo, preparar o cavalo, psicologicamente, para executá-la com precisão nas competições.





Em vista disto, é necessário um constante treinamento para manter a capacidade de velocidade nos movimentos Cíclicos o que requer um sistema nervoso central descansado. Portanto, deve ser realizado no inicio do processo de treino, logo após o aquecimento, nunca depois dos cansativos exercícios direcionados aos movimentos Acíclicos.



Os exercícios específicos para a manutenção da capacidade de velocidade nos movimentos Cíclicos devem ser realizados e executados com a maior rapidez possível. O número de exercícios ou sua duração deve ser aquele que o movimento possa ser executado sem diminuição da velocidade.



Em se tratando de piques de corrida, três ou quatro repetições, no máximo, em distancias que podem variar de 40 a 50 metros. O período de descanso, dois ou três minutos, entre cada repetição, deve ser suficiente para que a próxima ação seja realizada com a mesma velocidade. Este conceito vale para os treinamentos específicos da competição, ou seja, as passadas nos Três Tambores.



Por outro lado, o tempo de reação, básico para a velocidade de movimentos Acíclicos, pode ser bastante melhorado pelo treinamento de força rápida. Corridas curtas de reação com saídas em várias posições, corridas em zigue-zague (seis balizas), corridas com mudança de cadencia (20 metros veloz, 20 metros solto, 20 metros veloz, etc.), mudanças de direção de todas as formas e exercícios específicos para coordenação motora.



Isto tudo, leva a uma busca constante e altamente técnica das condições genéticas determinadas pelo estudo apurado dos “Pedigrees”, dos animais a serem escolhidos e levados ao treinamento específico da modalidade Três Tambores.



A partir desta constatação da qualidade genética, poderemos determinar a quantidade de treinamento a ser implementado para a manutenção da capacidade de velocidade do animal-atleta e até prever, dentro das condições oferecidas a este treinamento, os possíveis resultados que eles poderão alcançar em sua vida esportiva.



Neste contexto, é necessário ficar bem claro que estes aspectos, acima descritos, são normas técnicas gerais, não se constituindo nenhuma determinante exata para se conseguir grandes resultados nas competições. As variáveis são tantas e as surpresas que estes nossos maravilhosos companheiros eqüestres nos fazem, devem nos preparar para dar a aqueles cavalos, mesmo não possuidores de alta genética ou sem as condições neurofisiológicas básicas, a oportunidade de se apresentarem nas pistas de competições.



Na verdade, existem muitas agradáveis e inéditas surpresas.





Professor Heleno Lima (helenolima@hotmail.com)



- Formado em Educação Física e Desporto pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

- Pós Graduado em “Basquetebol” e “Fisiologia do Esforço” pelo Cientro de Capacitacion Deportiva de las Americas da Organizacion Deportiva Panamericana - ODEPA – México.

- Proprietário do Haras Saquarema, em Sobradinho-DF, especializado em criar e treinar cavalos para a modalidade Três Tambores.




Comentários
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09/06/2008
Heleno Lima

Caro Thomas,



O tamanho do galão, principalmente na capacidade de velocidade cíclica é fundamental, pois certamente propicia ao atleta (ai contando os cavalos) percorrer uma determinada distancia em determinado tempo usando de menos passadas.

Com isto utilizando menos atrito e gastando menos energia. Certamente, dois atletas, com a mesma capacidade de velocidade (fibras brancas profeniente da genetica) e com o mesmo banco energetico, o maior ou que tem maior passada, galão no caso de cavalos, será o vencedor.

Existem teorias várias versando sobre o assunto e uma das mais interessantes refere-se ao "fator x", geneticamente transmissivel atraves dos cromossomas x, obviamente mais eficientes através da linha materna.

Chama-se a teoria do Great Heart, que tem seu espoente no famoso TB Secreteriat, que tinha um coração pesando 22 libras, enquanto um normal de cavalo pesa 6 a 7 libras. Foi imbativel durante sua vida esportiva e considerado por uma revista esportiva americana como um dos cinquenta maiores atletas de todos os tempos, aí incluidos os outros quarenta e nove, todos seres humanos.

Enfim, acho que voçe está no caminho certo, e realmente dentro de pouco tempo todos os bons cavalos terão 100% ou bem perto disto de genetica de cavalos de velocidade.

Mas não podemos esquecer que é necessário observar atentamente o processo de capacidade de velocidade acíclica (agilidade) que cada animal possue e nisto os animais de boi (apartação) e redeas são normalmente melhores.

Normalmente eu gosto que meus cavalos de tambor tenham uma pitada de LEO, JET DECK e POCO BUENO, os dois primeiros de velocidade mas que tinham uma cabeça extraordinaria, o terceiro o grande expoente da linhagem boi. J

Juntando-se às linhas de Three Bars e Top Deck, of course, e colocando, quando possivel as linhagens de Depth Charge e Phalaris atraves de Nearco ou Native Dancer, cruzamentos que vem ocasionando grande sucesso nos USA, que deu Beduino, Azure Te, Zevi, Hempen, evitando assim a consanguinidade excessiva, das linhagens de Easy Jet e Dash for Cash.



O Potro do Futuro não acho que seja um parametro muito eficiente, pois é mais dificil e demorado treinar um aniaml de velocidade do que da linhagem de boi.



Um abraço Heleno
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